O Jogo da Sedução



Que pouca sorte a minha…
Tenho consciência de que não presto!
E de resto?
O que há de bom para fazer?
Ser altruísta
Não me arranja conquista
E é língua que um burro velho não quer aprender!

Que se dane a monogamia,
O que eu gosto é de Sedução!
Ninguém atura o atinadinho,
Que bonzinho!
Há-de ser parvo, padre ou sacristão!
Que se dispam as beatas
E que tragam o vinho!
Não vão destrunfar um herege
Com quatro damas na mão!

Para o formoso bast’ó engate!
Mas é tão pouco
E nem é belo!
Eu que sou feio,
Cá me safo.
E o que eu faço
É aliciar-las a tão doce enleio!

Mas podem ter a certeza!
Já não coloco cartas em cima da mesa.
Por meu descuido,
Ou por sua esperteza,
Leva-me os ouros todos.
Leva-me um Sete, três Valetes,
Os Duques e o resto da realeza!

Ao jogo das Copas ela ganhou
Apenas eu o perdi.
Perdi-me de paixão por ela!
E só por ela eu me rendi!
Já nada escondo!
Já não vos escondo nada!
Afinal, somos os dois da mesma laia.

O jogo que já não jogo
Ela joga.
Ou então, não tenho mais a certeza…
Se ela se rendeu a mim
É Verão.
Mas se foi apenas pela sedução
É Inverno,
E troveja!

3 comentários:

Mário L. Soares disse...

Impecável...

Abraço

Maria do Carmo disse...

brilhante!(gosto especialmente disto:Se ela se rendeu a mim
É Verão.
Mas se foi apenas pela sedução
É Inverno,
E troveja! )

Daniela disse...

O meu preferido!